Você já ouviu falar de BRONQUIOLITE?

Com o tempo seco, pouca umidade e variação de temperatura o que mais vemos são bebês e crianças com problemas respiratórios. A bronquiolite passa a fazer parte do repertório das doenças dessa época. Mas o que seria?

As infecções respiratórias em crianças menores de 1 – 2 ano de idade, que acometem os bronquiolos seja por causa viral ou outro agente etiológico é considerada BRONQUIOLITE. Acomete as vias aéras superiores e progride  com manifestações do trato respiratório inferior afetando sobretudo os bronquíolos, causada pela provável aspiração da secreção contaminada. A infecção das vias inferiores gera uma resposta inflamatória, com descamação celular e exsudação de proteínas plasmáticas, produzindo tampões de muco, infiltrados peribronquiolares com acúmulo de linfócitos e polimorfonucleares, resultando em edema de submucosa. A obstrução bronquiolar ocorre pelo edema e densos tampões de restos celulares e secreções.

Normalmente o quadro clínico inicia-se com infecção das vias aéreas superiores (“resfriado”), com coriza, rinorreia, redução apetite/anorexia, febre baixa ou ausente e irritabilidade. Posteriormente, a criança apresenta-se taquipneica, com respiração superficial, podendo a frequência respiratória chegar a 90 ipm em razão de hiperdistensão pulmonar persistente, sinais de esforço respiratório (uso da musculatura  acessória, balanceio de cabeça, batimento de asa de nariz e tiragens subdiafragmática, intercostal e de fúrcula). Febre, tosse produtiva do tipo coqueluxóide, expiração prolongada, dispnéia e crises de sibilância são frequentes. A ausculta pulmonar é rica, som sibilos, roncos e estertoração, com murmurio vesicular presente ou diminuído.  

O diagnóstico é feito por meio das manifestações clinicas e o conhecimento epidemiológico, apesar da ausência de sinais patagnomônicos. Seu tratamento requer repouso, hidratação, cuidados com a febre, corticoides e cuidados com a hipoxemia. A fisioterapia é um complemente essencial para a melhora do quadro de dispnéia e higiene bronquica. Busque profissionais especialistas!

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Fibrose Cística

É uma doença genética letal, mais comum na raça branca, e caracteriza-se por disfunção das glândulas exócrinas que provoca uma série de complicações e manifestações clínicas (respiratórias, digestivas e no aparelho reprodutor). Sua incidência varia de 1:2000 ou 1:5000 nascimentos em vários países, para população caucasiana.

Atualmente, o prognostico de sobrevida é de trinta anos para metade dos pacientes. Isso se deve ao diagnóstico precoce, manejo multiprofissional em centros especializados e facilidade de acesso à terapia adequada, incluindo a fisio respiratória, fundamental para a qualidade de vida dessas pessoas.

Geneticamente, é uma transmissão autossômica recessiva. Seu gene localiza-se no braço longo do cromossomo 7 e transcreve uma proteína transmembrana que regula o transporte iônico conhecida como CFTR.  Essa proteína atua como um canal de cloro, tem função de regulação do fluxo de Cl, Na e H2O através da membrana da célula. A presença de 2 alelos com mutação no gene da fibrose cística provoca ausência de atividade e funcionamento parcial da CFTR.

A FB provoca mudanças patológicas em órgãos onde a CFTR atua, incluindo células secretoras, glândulas sudoríparas, seios da face, pulmões, pâncreas, fígado e trato reprodutor. A mudança mais importante é visualizada nas vias aéreas, na qual o defeito genético causa infecção pulmonar crônica.  Sua fisiopatologia inclui a redução na excreção de Cl e aumento na eletronegatividade intracelular, o que resultará em maior fluxo de Na para o interior da célula, e, posteriormente, H2O por ação osmótica. Esse processo levará à desidratação das secreções mucosas e o aumento na viscosidade, favorecendo a obstrução dos ductos, acompanhada de reação inflamatória e posterior processo de fibrose.

A manifestação clinica do aparelho respiratório é caracterizado por períodos de regularização ou exacerbações de sinusites, bronquites e pneumonias. A sintomatologia é constituída de tosse persistente, excesso de produção de escarro mucoso, pode-se perceber sibilancia ou roncos. A maioria dos fibrocisticos morre por insuficiência respiratória, secundaria ao grave comprometimento pulmonar, fase em que costuma estar presente cor pulmonare.

O diagnostico ocorre por volta dos 2 -3 anos de vida, por meio de achados de duas mutações no gene de FC, por 2 testes de suor alterados e presença de pelo menos uma das seguintes manifestações clinicas: doença pulmonar obstrutiva, supurativa ou sinusal crônica, insuficiência pancreática exócrina crônica, histórico de infertilidade masculina e histórico familiar de FC.

Não existe tratamento definitivo, deve ser iniciado precocemente, evitando a progressão das lesões pulmonares e levando-se em consideração os órgãos acometidos. A fisio respiratória é universalmente recomendada, técnicas especificas para higiene e reexpansão pulmonar são aplicadas.

Autor: ROMANI, M.F.E.