Lesão do plexo braquial no lactente

O plexo braquial pode sofrer lesões durante um parto difícil. Estima-se que a incidência no Brasil seja de 1% dos nascidos vivos. Há dois fatores principais de risco: o peso elevado do recém-nascido e o parto pélvico. A tração exercida sobre o plexo é capaz de provocar lesão das raízes superiores (C5-C6), dando origem ao tipo de lesão do plexo conhecida como Paralisia de Erb, ou lesão das raízes inferiores (C7,C8 e T1), resultando esta última em paralisia da musculatura da mão, também conhecida como Paralisia de Klumpke. Excepcionalmente, a lesão afeta todas as raízes nervosas do plexo, apresentando o recém-nascido o braço completamente flácido: é a paralisia de Erb-Klumpke.

            A natureza da lesão varia desde o edema que afeta uma ou duas raízes nervosas, até o arrancamento do plexo inteiro. O nervo facial também pode ser afetado pelo traumatismo, exibindo discreta paralisia facial. Outras possíveis complicações são: fratura da clavícula ou do úmero, subluxação do ombro e torcicolo.

Anatomia patológica: o desvio lateral da cabeça, acompanhado pelo abaixamento da cintura escapular, provoca distensão dos nervos, comprimindo-os contra as primeiras costelas, podendo resultar em lesão da porção superior do plexo, enquanto a sua porção inferior pode sofrer lesão em virtude da abdução exagerada do ombro, quando acompanhada de tração sobre o braço, esta manobra provoca distensão e compressão dos nervos sob o processo coróide.

Descrição do quadro clínico: o bebê apresenta postura assimétrica: o braço afetado jaz flácido ao seu lado, ao invés de apresentar a postura normal do recém-nascido, na qual predomina a flexão. A fraqueza ou paralisia dos músculos leva à substituição por músculos intactos, o que resulta em desempenho motor de caráter compensatório, em contratura de tecidos moles e no possível desuso adquirido através do aprendizado. . Todas as qualidades sensitivas podem estar abolidas (dolorosa, térmica, tátil e proprioceptiva) quando a paralisia grave do braço inteiro se acompanha de perda total da sensibilidade.

Prognóstico: depende da gravidade da lesão do plexo. Os prazos para a recuperação máxima varia entre 1 e 18 meses. A regeneração é pouco provável nos casos em que ocorreu ruptura completa dos axônios.

Tratamento: nas lesões recentes são recomendadas essencialmente, desde o início, a prevenção de contraturas, a conservação da força dos músculos ilesos e o reforço da consciência da criança sobre o membro afetado, a fim de limitar a influência da desnervação e da agnosia. Nos outros casos, obviamente, justifica-se também a reabilitação tanto antes como depois da cirurgia.

 

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Autor: ROMANI, M.F.E.