Microcefalia

Há alguns dias, um assunto veio a tona: o aumento da incidência de Microcefalia em Pernambuco. Afinal, você sabe o que é, o que causa e suas consequências? Vamos fazer um breve artigo, acompanhe….

O que é?

Microcefalia significa perímetro cefálico (PC) abaixo de dois desvios padrão com relação à distribuição normal. O padrão para o PC varia entre diferentes etnias (em média: recém-nascido = 35cm, 6 meses = 45cm e 12 meses = 47cm).

Qual é a causa?

A microcefalia pode ser dividida em primária ou secundária. Na primária ocorre uma alteração na formação do cérebro por causas genéticas ou comossômicas, por exemplo: anencefalia, encefalocele, holoprosencefalia, agenesia do corpo caloso e defeitos de migração celular.

A microcefalia secundária ocorre por distúrbios intra-uterinos, ou seja, uma infecção intra-uterina que pode ser causada por citomegalovírus, drogas e/ou agentes farmacológicos, contaminação por radiação e infeccção por agentes biológicos, como bactérias, vírus. Também causada por doenças crônicas e desnutrição pós-natal.

Diagnóstico?

O diagnóstico é feito pelo exame físico na própria marternidade (até 24h) com a medição do crânio. No período intra-uterino é possível verificar pelos exames realizados no pré-natal e pós- natal a ressonância magnética pode ser informativa para distinguir a microcefalia primária da secundária.

micro

Tratamento?

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com alteração cognitiva,  exceto nas de origem familiar, que podem ter o desenvolvimento normal. O tipo e o nível de gravidade da sequela vão variar caso a caso. Dependendo do tipo de microcefalia, é possível corrigir a anomalia por meio de cirurgia.

Pode incluir também, tratamento medicamentoso, quando a criança apresenta quadros de convulsões. Entretanto, para todos os casos, o acompanhamento de profissionais especializados em desenvolvimento neuropsicomotor é fundamental. Somos nós que iremos orientar os responsáveis e estimular para que a criança aprenda as habilidades motoras necessárias para suas atividades de vida diárias. 

Os tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e a qualidade de vida.

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E nada mudou….

Em 1999 a Academia Americana de Pediatria publicou algumas recomendações aos médicos sobre os cuidados e orientações que os pais deveriam se atentar em relação à mídia. Iniciam expondo sobre como esse meio de comunicação traz benefícios para a estimulação infantil e aprendizado, porém destaca seus impactos maléficos.

Dentre esses impactos, destacam o comportamento agressivo, as referências sexuais (as crianças são expostas a mais de 14 mil tipos de conteúdos), o uso de tabaco e álcool, obesidade e má performance nas escolas. Isso tudo não é novidade, não é mesmo? mais incrível ainda é saber que o alerta foi feito há 16 anos atrás, e nada mudou, pelo contrário, piorou!!

Nossas crianças a cada geração estão mais “espertas” com a tecnologia, nos dão um baile de conhecimento e vivem cada dia mais em frente ao mundo virtual. Isso justifica porque frequentemente avaliamos crianças que estão atrasadas na marcha, na fala, desorganizados, e com “espectros autistas” (ou será “espectro tecnológico”?). Outro dia li sobre esses enganos nos diagnósticos dos autistas, tudo por causa do uso de um Ipad, é…. os tempos são outros e nossas crianças também.

A Academia Americana de Pediatria recomendava que os pediatras deveriam incorporar em suas consultas questionamentos sobre o uso da mídia, tais como: cuidados com os programas de televisão que são selecionados para família, limitar o tempo que as crianças passam com a tecnologia, enfatizar atividades alternativas (do tipo, brincar?), o pediatra deve orientar e alertar todos os profissionais e familiares sobre os riscos da exposição à mídia e além disso, incentivar o governo a selecionar e organizar a melhor educação e programação com o uso da mídia.

Será mesmo que precisaremos de um pediatra para falar que a criança precisa voltar a ser criança?  Vamos combinar uma coisa, as férias estão chegando que tal tirar férias também de tudo que é tecnológico? vamos brincar, passear, criar histórias. Tudo isso auxilia no desenvolvimento neuropsicomotor, e acredite, na capacidade intelectual de seu filho!

Faça um bem à saúde física e psicológica de nossas crianças, que nossas nostalgias da infância fale mais alto para ensinarmos o que é ser ativo, criativo e feliz!

Autor: ROMANI, M.F.E.