Atuação da Fisioterapia no Pós-Parto

Chama-se puerpério, sobreparto ou pós-parto, um período cronológico de tamanho variável, que se inicia com a expulsão do feto e dos anexos ovulares (placenta e membranas), e termina quando cessa o estado involutivo dos fenômenos gerados pela gravidez e há recuperação do estado da mulher encontrado ao seu início. Didáticamente é dividido em puerpério imediato (1 – 10 dias), tardio (10 – 45 dias) e remoto (acima de 45 dias).

As manifestações mais comuns encontradas pós-parto são: dor, lóquios, alterações de temperatura, peso corpório, repercussões no aparelho urinário, funcionamento gastrointestinal, musculoesqueléticas e depressão puerperal. A seguir serão descritas rapidamente cada uma delas.

A dor decorre das contrações uterinas, acontecem quase sempre quando se amamenta. Isso ocorre devido a ação da ocitocina, produzida para facilitar a ejeção láctea.

Lóquios são os materiais que se desprendem de soluções de continuidade sofridas pela genitália durante o parto, exsudatos, transudatos e sangue. Nos 3-4 primeiros dias são vermelhos, sanguinolentos e à medida que passa o tempo, tornam-se acastanhados e progressivamente clareia até desaparecer por tempo variável. Quando volumosos ou amarelados ou  esverdeados, com mau cheiro podem indicar infecções ou presença de restos intrauterinos, devendo ser avaliados pelo médico!

Alterações de temperatura ocorrem no corpo da mulher, nos primeiros dias há uma pequena elevação (37 – 37,9C), sem que este represente uma infecção. Quando ocorre após o terceiro dia pode estar ligado à “descida do leite” acompanhada de calafrios, considera-se fisiológica quando não  dura mais de 48/72h.

A perda de peso ocorre imediata decorrente do nascimento do feto e anexos fetais. Perda de mais de 2 ou 3kgs por aumento da diurese, amamentação e eliminação de sódio, se agrega à esta redução. A recuperação completa pode ocorrer entre 4 – 6 meses após o parto, a depender do peso adquirido durante a gestação.

Aparelho urinário e digestivo: as alterações anatômicas e funcionais nesse sistema são muito grandes durante o ciclo gravídico-puerperal. A descompressão intra-abdominal reposiciona todos os orgãos abdominais, com isso pode-se ter dificuldade no esvaziamento da urina, uma digestão mais rápida, uma paresia intestinal resultado da flacidez na musculatura abdominoperineal, disfunções da bexiga (incontinência urinária) e dor no processo de cicatrização pós-episiotomia. 

É muito grande o relatamento das musculaturas abdominais e urogenitais, a deambulação precoce, que se considera útil após algumas horas do parto, mais cuidados higieno-dietéticos, exercícios e ações fisioterapêuticas permitem efetiva recuperação em poucas semanas. Desconfortos articulares pélvicos, da coluna e membros, tendem a desaparecer mais vagarosamente, persistindo algumas modificações por vários meses ou anos. 

A depressão puerperal é relativamente comum nos primeiros dias pós-parto. Esta condição, leve e transitória se relaciona ao estado emocional de excitação e medos nos últimos momentos de gravidez, ao desconforto natural dos primeiros dias após o parto, cansaço e ansiedade, além da pressão familiar de desempenho de cuidados e amamentação a própria autoexigência! Ao ganhar confiança e com o apoio do marido e familiares ocorre a superação desse quadro, porém uma atenção mais especial deve ser dada caso essas manifestações se prolongue e aprofunda, muitas vezes revelado pelo desleixo, choro fácil, desinteresse pelo bebê e ideação autodestrutiva. Nesses casos é necessário uso de medicamentos e acompanhamento de especialistas!

Em razão das transformações ocorridas no puerpério, a mulher deve ser vista de forma integral, recebendo atenção física e psíquica. As alterações musculares, do padrão respiratório, circulatório e órgãos abdominais e pélvicos justificam a intervenção fisioterapêutica nesse momento!

Sua atuação é imediata, uma vez que nesse período a mãe deixa em segundo plano os cuidados com o seu corpo e se preocupam  somente com o bebê. É importante salientar que os primeiros dias são críticos, pois todas as alterações no organismo interferem diretamente na sua disposição física e mental, amamentação e cuidados com o RN. Por isso, o BEM-ESTAR da mulher é FUNDAMENTAL PARA QUE EXERÇA ADEQUADAMENTE SUA FUNÇÃO DE MÃE. 

Assim, ao se preparar para gestação não se esqueça que seu corpo também merece atenção após esse período. Contate seu fisioterapeuta, mesmo se for um pór-parto tardio, nunca é tarde!!! Se cuide!!

 

 

 

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Autor: ROMANI, M.F.E.

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