Síndrome Hipertensiva na GRAVIDEZ

As síndromes hipertensivas na gravidez durante o ciclo gravídico-puerperal, somado aos quadros infecciosos e hemorrágicos, representam 30% do total de mortes maternas no Brasil. Durante a gestação, o débito cardíaco aumenta em torno de 40%, como resultado da elevação do volume intravascular, a resistência vascular diminui e, no segundo trimestre, ocorre queda dos valores de pressão arterial, que retornará aos níveis pré-gravídicos ao final do período.

Na pré-eclâmpsia, o mecanismo fisiopatológico básico é o vasoespasmo generalizado. Deve-se a um defeito, provavelmente mediado de forma imunológica. Ocorre uma alteração no endotélio uterino, que perde sua capacidade de anticoagulação e se torna sensível à ação de agentes vasoativos, o que causa o vasoespasmo, destruição placentária e lesão endotelial. A alteração no leito placentário produz progressivamente o sofrimento fetal, principalmente pela diminuição da oferta de oxigênio.

A mulher é classificada no quadro de pré-eclampsia quando sua PAS é maior que 140mmHg ou PAD 90mmHg com proteinúria maior que 300mg/24h, após 20 semana gestacional, podendo evoluir para a eclampsia, propriamente dita.

A eclampsia é um quadro em que ocorrem convulsões tônico-clônicas generalizadas e/ou coma, não causados por epilepsia ou outra patologia convulsiva.

Em relação à etiologia cita-se mecanismos imunológicos, genéticos, vasculares e disfunção endotelial. A pré-eclâmpsia pode ser leve ou grave, definidos por exames clínicos e laboratoriais.  A alteração de perfusão afeta também o sistema nervoso central, acarretando em alterações estruturas como trombose, hemorragia, edema, além de alterações hemodinâmicas, metabólicas e funcionais que podem apresentar clinicamente por distúrbios visuais, cefaléia, cegueira, convulsão e coma.  Quando há o aparecimento de hemólise, aumento de enzimas hepáticas e plaquetas baixas, a sindrome recebe o nome de HELPP.

Geralmente, mulheres que desenvolvem a sindrome antes da 37 semana IG tem piores resultados perinatais, pois está diretamente relacionado à prematuridade, sendo que as principais morbidades incluem problemas relacionados com a restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascimento, asfixia perinatal, infecções, hemorragia intra e periventriculares.

Atualmente, não há terapia preventiva eficiente para sua solução, sendo a única “cura” a interrupção da gravidez, com nascimento da criança e retirada da placenta. Por isso é fundamental o acompanhamento pré-natal na tentativa de minimizar as complicações maternas e favorecer o desenvolvimento fetal.

A atividade física estruturada, planejada e repetitiva auxilia na redução de risco do aparecimento da sindrome hipertensiva, principalmente quando realizado durante as primeiras 20 semanas de gestação. Os exercicios devem ser controlados em relação à intensidade, repetição e aferição da PA. Qualquer grávida pode realizar a atividade, mesmo as sedentárias que desejem iniciar durante a gestação. Então, vamos no prevenir e começar a nos exercitar??

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Fisioterapia para Gestantes

No ano de 2000, o Ministério da Saúde instituiu o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN) com o objetivo de incentivar e subsidiar a assistência à gestante, à puérpera e ao recém-nascido. Tal programa recomenda uma série de medidas e intervenções.
O conceito de atenção humanizada é amplo e envolve um conjunto de conhecimentos e práticas que visam à promoção do parto e do nascimento saudável. Este tipo de atenção inicia-se no pré-natal, tem por objetivo diminuir os riscos, prevenir a morbimortalidade e garantir a realização de procedimentos comprovadamente benéficos para a mãe e o bebê.
A preocupação dos profissionais da área de obstetrícia foi abordada em 1957, várias teorias foram descritas, todas relacionando a saúde e bem-estar da mãe ao do bebê, sendo trabalhado juntamente com as mães técnicas de relaxamento, exercícios respiratórios, redução da dor e tensão, percepção corporal e orientações referentes ao processo gestacional, modificações corporais e emocionais, trabalho de parto, parto e puerpério, cuidados com o recém-nascido e amamentação.
O fisioterapeuta desempenha papel relevante, sendo um dos responsáveis pelo desenvolvimento dessa atenção e coadjuvante da gestação.
Dentre os desconfortos que as gestantes podem apresentar destacam-se as dores pélvicas e lombares e a incontinência urinária, e dentre as condições patológicas, a hipertensão, pré-eclampsia e diabetes gestacional. A realização de atividade física e exercícios durante a gestação de baixo risco tem tido crescente interesse pelos pesquisadores.
Estudos apontam para o efeito protetor do exercício na prevenção de doenças, por exemplo: redução do risco de pré-eclampsia entre 24 e 54%, e de diabetes em torno de 50% comparadas às gestantes inativas. Além disso, os exercicios foram associados a prevenção do ganho de peso e excluído relação com o trabalho de parto prematuro.
A atividade física está recomendada a partir de 12 semanas gestacionais, desde que não haja contraindicação clínica. De forma geral, o fisioterapeuta se preocupa em proporcionar condicionamento aeróbico, fortalecimento e alongamentos, exercícios sem risco de trauma abdominais, quedas e desequilibrios.
Sabendo disso tudo, não perca tempo!
Gestante, procure agora um fisioterapeuta especializado e se prepare para um dos momentos mais importante da sua vida!!!

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Autor: ROMANI, M.F.E.