Como os bebês reagem a DOR?

O interesse pela possibilidade do recém-nascido (RN) sentir dor iniciou na década de 1960, quando se observou que a mielinização não era imprescindível para a transmissão dos impulsos de dor pelo trato sensorial. Sabe-se atualmente, que os elementos do sistema nervoso central, necessários para a transmissão do estímulo doloroso ao córtex cerebral, estão completamente mielinizadas na 30ª semana de idade gestacional. Além disso, é importante ressaltar que, nos prematuros, as vias descendentes inibitórias só amadurecem mais tardiamente, e portanto, eles sentem dor mais prolongada e intensa.
Mesmo com todas essas informações ainda encontramos descaso dos terapeutas em relação a dor desses pequeninos, principalmente pelo fato da dor ser subjetiva e que cada individuo aprende a aplicação da palavra dor através da vivência de experiências dolorosas que ocorrem desde o inicio da vida. Então como definir o fenomeno doloroso na população não verbal como os neonatos, crianças pequenas e com deficiência neurologica ou mental?
Ainda não existe um método específico para avaliação da dor para pacientes não verbais. Entretanto, estudos já demonstram que os RN apresentam uma “linguagem própria”, observado por mudanças dos parametros fisiológicos, comportamentais e psicológicos. Com o objetivo de abolir ou limitar a duração da experiência dolorosa, o RN gasta uma grande quantidade de energia para a modificar os seus parametros. Se a experiência persistir, de forma intermitente ou continua, o RN passa a apresentar uma marcada conservação de energia, tornando-se pouco reativo à dor, o que pode produzir, em curto prazo, consequências como irritabilidade, diminuição da atenção e orientação, alteração do padrão de sono, diminuição do apetite ou recusa alimentar, além de interferencia na relação entre mãe-filho.
A dor repetitiva no periodo neonatal tem sido motivo de preocupação quanto a possibilidade de favorecer o aparecimento de problemas cognitivos e déficits de atenção e concentração durante a vida escolar.
Dentre as várias medidas fisiológicas de dor no RN destacam-se o aumento da frequência cardiaca (porém, é uma medida auxiliar por não ser específica), elevação da frequência respiratória (em prematuros ocorre apneia), elevação da pressão arterial (essa mudança é um risco para bebes prematuros que não apresentam a auto-regulação do fluxo sanguineo amadurecido e, dessa forma, o aumento da pressão durante o estimulo doloroso pode, em parte, ser responsável pelo aumento da pressão intracraniana, predispondo o aparecimento de hemorragias peri e intraventricular), sudorese palmar, rigidez do torax e movimentos de flexão e extensão das extremidades, choro, mímica facial (fronte saliente, olhos espremidos, labios entreabertos, lingua tensa e tremores do queixo).
O uso de medidas não farmacológicas para alivio da dor, como chupetas e estimulação tátil e cinestesica, propicia maior conforto ao RN. Como prevenção deve-se minimizar as agressões sofridas pelo RN, a necessidade da humanização no ambiente das UTINs, estratégias de contenção com o posicionamento terapêutico e o contato pele a pele (método canguru).

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Autor: ROMANI, M.F.E.

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