Controle da respiração no recém-nascido

Quais são os mecanismos fisiológicos que determinam a passagem do padrão de respiração fetal para o padrão do RN? Isso mesmo, o feto também respira, como? O conceito da respiração fetal é relativamente novo, e algo intrigante, uma vez que a trocas gasosas são feitas no plano placentário.  Entretanto, após muitos estudos, pode-se evidenciar com auxilio do ultra-som a respiração com 11 semanas de gestação.  A respiração é de forma intermitente, e só ocorre em períodos de sono REM. Especula-se que a respiração serve basicamente como um treinamento neuromuscular para adaptação às necessidades extra-uterinas.  É inibida pela hipóxia e estimulada pela hiperóxia. Existe provavelmente um fator inibidor produzido pela placenta. No nascimento, em virtude de uma oferta generosa de O2 associado ao clampeamento do cordão umbilical, inicia-se uma respiração continua em que novos fatores desempenham papeis decisivos.

O RN tem diferenças importantes em relação ao controle da respiração do adulto. Normalmente, há um equilíbrio entre a geração de um ritmo intrínseco e vários estímulos periféricos, de modo que a respiração possa aumentar ou diminuir frente as mais diferentes situações do dia-a-dia. O RN apresenta maior vulnerabilidade aos estímulos periféricos, causando diferentes distúrbios respiratórios.

A segunda característica do controle respiratório do RN é em relação aos controles químicos. O O e o CO2  do sangue são os principais moduladores químicos da nossa respiração. No adulto existe um aumento significativo da ventilação com a hipóxia, no RN esta resposta é paradoxal. Quando expostos a O2 a 15% apresentam um breve período de hiperpnéia (1 a 2 minutos), seguido de depressão ventilatória, muitas vezes culminando em apnéia.

Reflexos pulmonares estão presentes na respiração e mais diferenças em relação ao adulto são encontradas. Os receptores vagais são importantes moduladores do padrão respiratório e do volume pulmonar. O reflexo de Hering e Breuer é facilmente demonstrável no RN, e nem  sempre no adulto. O vago também é responsável pelos receptores que disparam o reflexo de tosse, mas no RN pode estimular apneias e não tosse. O reflexo inibitório frenicointercostal é de grande relevância durante o sono REM, pois nesse período há uma inibição da “alça gama”, o que leva a diminuição do tono dos intercostais e praticamente abole a sua ação fasica, deixando o RN em grande desvantagem para enfrentar o trabalho respiratório.

Por fim, o RN não apresenta boa coordenação entre seus músculos respiratórios e os músculos que controlam a permeabilidade das vias aéreas superiores. Existem vários obstáculos anatômicos para a passagem de ar num RN, pois a dimensão dos diversos condutos é muito pequena. As fossas nasais, a faringe posterior e a parte proximal da laringe são os locais em que a via aérea é menor. Durante a respiração normal, a contração dos músculos respiratórios gera uma pressão negativa, que pode levar ao colapso das vais aéreas, o RN está seguramente em desvantagem em relação ao adulto não só pelo aspecto anatômico, mas também pela própria imaturidade em seus sistemas de controle.

Todos esses fatores tornam o RN mais vulnerável frente ao desafio da adaptação à vida extra-uterina. 

2 comentários (+add yours?)

  1. mestreseo
    Dez 14, 2012 @ 16:57:21

    awesome blog! i liked your way of description. mestreseo mestreseo mestreseo mestreseo mestreseo

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Autor: ROMANI, M.F.E.

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