Esses dias li um artigo simples e de leitura fácil, porém não muito detalhado em alguns aspectos, principalmente estatístico, mas que trouxe uma nova técnica para o tratamento de Paralisia Cerebral, pelo menos para mim. Nesse artigo ele comparava a vibração e a therasuit, ou como eles citam programa de atendimento na “gaiola”.

 A técnica de vibração foi realizada com a Biodex stability system, muito usado para avaliação e estabilidade postural. Esse equipamento apresenta vários programas que desestabilizam o individuo, há movimento da plataforma e coordenação visual. No estudo foi utilizado com crianças hemiplégicas, melhorando sua coordenação motora global, equilíbrio dinâmico e estático. A atividade com a “gaiola” também obteve grandes evoluções, alias mais que o sistema de vibração. Esta é uma técnica relativamente nova na fisioterapia e tem muito ainda a ser pesquisado, mas vale a pena conhecê-la melhor, isso para próximos posts, ok?

Para maiores informações leia o artigo: http://www.ajol.info/index.php/ejhg/article/viewFile/77701/68129  

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Nota

Controle da respiração no recém-nascido

Quais são os mecanismos fisiológicos que determinam a passagem do padrão de respiração fetal para o padrão do RN? Isso mesmo, o feto também respira, como? O conceito da respiração fetal é relativamente novo, e algo intrigante, uma vez que a trocas gasosas são feitas no plano placentário.  Entretanto, após muitos estudos, pode-se evidenciar com auxilio do ultra-som a respiração com 11 semanas de gestação.  A respiração é de forma intermitente, e só ocorre em períodos de sono REM. Especula-se que a respiração serve basicamente como um treinamento neuromuscular para adaptação às necessidades extra-uterinas.  É inibida pela hipóxia e estimulada pela hiperóxia. Existe provavelmente um fator inibidor produzido pela placenta. No nascimento, em virtude de uma oferta generosa de O2 associado ao clampeamento do cordão umbilical, inicia-se uma respiração continua em que novos fatores desempenham papeis decisivos.

O RN tem diferenças importantes em relação ao controle da respiração do adulto. Normalmente, há um equilíbrio entre a geração de um ritmo intrínseco e vários estímulos periféricos, de modo que a respiração possa aumentar ou diminuir frente as mais diferentes situações do dia-a-dia. O RN apresenta maior vulnerabilidade aos estímulos periféricos, causando diferentes distúrbios respiratórios.

A segunda característica do controle respiratório do RN é em relação aos controles químicos. O O e o CO2  do sangue são os principais moduladores químicos da nossa respiração. No adulto existe um aumento significativo da ventilação com a hipóxia, no RN esta resposta é paradoxal. Quando expostos a O2 a 15% apresentam um breve período de hiperpnéia (1 a 2 minutos), seguido de depressão ventilatória, muitas vezes culminando em apnéia.

Reflexos pulmonares estão presentes na respiração e mais diferenças em relação ao adulto são encontradas. Os receptores vagais são importantes moduladores do padrão respiratório e do volume pulmonar. O reflexo de Hering e Breuer é facilmente demonstrável no RN, e nem  sempre no adulto. O vago também é responsável pelos receptores que disparam o reflexo de tosse, mas no RN pode estimular apneias e não tosse. O reflexo inibitório frenicointercostal é de grande relevância durante o sono REM, pois nesse período há uma inibição da “alça gama”, o que leva a diminuição do tono dos intercostais e praticamente abole a sua ação fasica, deixando o RN em grande desvantagem para enfrentar o trabalho respiratório.

Por fim, o RN não apresenta boa coordenação entre seus músculos respiratórios e os músculos que controlam a permeabilidade das vias aéreas superiores. Existem vários obstáculos anatômicos para a passagem de ar num RN, pois a dimensão dos diversos condutos é muito pequena. As fossas nasais, a faringe posterior e a parte proximal da laringe são os locais em que a via aérea é menor. Durante a respiração normal, a contração dos músculos respiratórios gera uma pressão negativa, que pode levar ao colapso das vais aéreas, o RN está seguramente em desvantagem em relação ao adulto não só pelo aspecto anatômico, mas também pela própria imaturidade em seus sistemas de controle.

Todos esses fatores tornam o RN mais vulnerável frente ao desafio da adaptação à vida extra-uterina. 

Em produção….

ainda essa semana…novo artigo da área de respiratória…aguardem!!!

Imagem

fonte: http://michelecj.blogspot.com.br/2011_12_01_archive.html

Avaliação da marcha na Paralisia Cerebral

Existem alguns padrões de marcha clássicos que são característicos dos diferentes tipos de PC. Entretanto, há variações dentro de cada tipo. Tais padrões serão descritos a seguir.
Muitas crianças com diplegia espástica têm a mobilidade limitada em sua coluna lombar, na pelve e nas articulações do quadril e mostram inclinação ou rotação pélvica assimétrica durante a marcha. Em um esforço para compensarem a falta de mobilidade da parte inferior do corpo, tendem a flexionarem os quadris durante a fase de apoio, excessiva adução e rotação interna do quadril. Dependendo da função da musculatura pélvica, lombar e do tornozelo, os joelhos podem estar tanto flexionados quanto hiperestendidos durante a fase de apoio. Os pés podem estar valgos e em flexão plantar com os calcanhares fora da superfície do chão.
Em crianças com hemiplegia, a assimetria é a característica mais óbvia. Elas apresentam um deslocamento do peso corporal para o lado não envolvido, tendo a mudança de peso breve e incompleta para o lado envolvido, realizando uma passada curta e com pobre fase de balanço. Os membros do lado envolvido estão retraídos ou rodados posteriormente quando comparados com o ombro e pelve no lado contralateral. O balanço do braço acontece apenas no lado não-envolvido, e a extremidade superior acometida mantém o ombro em hiperextensão e cotovelo flexionado, como parte de uma reação associada. A extremidade inferior pode apresentar uma rigidez em extensão ou maior mobilidade com flexão.
Os casos mais leves de atetose sem espasticidade apresentam uma pequena rigidez postural latente que flutua para uma rigidez maior. O padrão de marcha nas extremidades inferiores e nos padrões totais de movimento é graduado precariamente. As extremidades inferiores são normalmente levantadas na flexão e colocadas para baixo durante o apoio em extensão com adução, rotação interna e flexão plantar. Os quadris ficam ligeiramente estendidos, a coluna lombar e cervical em hiperextensão.

Autor: ROMANI, M.F.E.