Paralisia Cerebral

Paralisia Cerebral é descrito como um grupo de “desordem” no desenvolvimento da postura e do movimento, que causam limitações de atividades. É atribuído a um distúrbio não-progressivo que ocorre no cérebro durante o desenvolvimento fetal ou do bebê. Os distúrbios motores da PC são geralmente acompanhados de distúrbio da cognição, sensação, comunicação, percepção, comportamento e epilepsia.

Os preditores mais fortes para a ocorrência da PC são a presença de anomalias congênitas, baixo peso ao nascimento, hipóxia ou isquemia, doença pulmonar crônica, baixo escore de Apgar, hemorragia intracraniana grave, leucomalácia periventricular, necessidade de ventilação mecânica e prematuridade. A época de aparecimento varia desde a pré e peri-natal como pós-natal, período em que o SNC ainda está imaturo (aproximadamente 36 meses quando a marcha está madura).

Segundo a literatura, o tempo sobre o qual o diagnóstico pode ser aplicado varia, tendo uma média de 3 a 5 anos. Período que se reconhece a plasticidade prematura do cérebro imaturo.

Apresenta 3 tipos de classificação, sendo relacionados ao tipo de tônus, a distribuição do acometimento e sua severidade. A categorização é baseada nas descrições de características observáveis, portanto, é uma descrição sintomática.

Tipo de Tônus:

  • Aumento anormal do tônus: espasticidade (aumento da resistência ao movimento dependente da velocidade); hipertonia anormal (resistência ao alongamento passivo, porém não é velocidade-dependente, ocorre com freqüência nos casos de traumatismo e afogamento).
  • Tônus flutuante: atetose (movimentos contorcidos lentos da face e das extremidades, afetando particularmente a musculatura distal) movimentos coreicos (movimentos abruptos, rápidos e irregulares vistos mais comumente na face e extremidades), distonia (distorções rítmicas e mudanças no tônus envolvendo principalmente o tronco e as extremidades proximais e causando movimentos lentos e não-controlados com a tendência a posturas fixas).
  • Diminuição anormal do tônus: ataxia (lesão cerebelar – perda da coordenação muscular coordenada, movimentos realizados com força, ritmo e acurácia anormais, distúrbio de equilíbrio).
  • Mista: quando há associação entre os tipos acima, por exemplo: atetose + espasticidade, coreatetose, etc.

 Distribuição do acometimento:

  • Quadriplegia – envolvimento igual de extremidades superiores e inferiores.
  • Diplegia – quadriplegia com envolvimento leve de extremidades superiores.
  • Hemiplegia – envolvimento das extremidades superior e inferior de um lado.
  • Monoplegia – envolvimento de uma extremidade.

Severidade:

Para avaliar a gravidade da seqüela motora pode ser usado o Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS)  segundo Palisano et. al. (1997):

  • Nível I –  anda sem restrições, limitações nas habilidades motoras grossas mais avançadas;
  • Nível II – anda sem equipamentos, limitações em andar em ambiente externo e na comunidade;
  • Nível III- anda com equipamentos para mobilidade, limitações para andar em ambiente externo e na comunidade;
  • Nível IV – automobilidade com limitações, crianças são transportadas ou usam mobilidade automática em ambiente externo e na comunidade;
  • Nível V – automobilidade é severamente limitada mesmo com o uso de tecnologia de suporte.

Os distúrbios do movimento e tipo motor se modificam com o tempo, a criança que foi classificada como hipotonia inicialmente freqüentemente desenvolve hipertonia num seguimento a longo prazo.

Intervenção

A equipe terapêutica deve consistir da criança, de sua família, médicos e profissionais da saúde, e conjuntamente decidirem a melhor conduta para a aprendizagem das habilidades e necessidades funcionais da criança no seu lar e na comunidade.  Os exercícios terapêuticos exercem um importante papel na habilitação/reabilitação da criança com PC.

O programa de exercícios deve ser desenvolvido em relação à avaliação, identificação das metas a longo e curto prazo e as habilidades funcionais da criança. Seguem os mesmos paramentos dos exercícios convencionais, em que a dificuldade é graduada de acordo com o progresso da criança para alcançar uma maior força, resistência e coordenação.

Dispositivos auxiliares são freqüentemente utilizados para promoverem alinhamento biomecânico adequado, proteção de partes moles, propriocepção, correção e prevenção de deformidades.  Esses dispositivos muitas vezes participam das terapias, permitindo criar estratégias mais direcionadas ao objetivo, como exemplo, podemos citar o treino de marcha em crianças com o uso de esteiras elétricas, proporcionando uma maior aprendizagem e coordenação dos movimentos.

São realizadas, a depender da avaliação do fisioterapeuta associada ao médico, correções cirúrgicas. Tais correções melhoram a qualidade de vida da criança, incluindo sua higiene pessoal. Pode-se citar como intervenção cirurgia a tenotomia, correções cirúrgicas de alterações posturais como escoliose e luxação de quadril, além da aplicação de toxina butolínica.

É importante observar o crescimento e desenvolvimento da criança não apenas nos aspectos motores, mas também de linguagem, motor fino, cognitivo e social, solicitando sempre que necessário a atuação de outros profissionais. A meta final é a de que a criança se torne um membro ativo da unidade familiar, assim como da comunidade, fazendo uso de todo o seu potencial. 

Aside

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Autor: ROMANI, M.F.E.

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