Brincadeiras

Sem o intuito de propaganda de marca, o vídeo postado é para relembrar da importância da brincadeira. Encaixar, empilhar, apertar botões, fazer comidinha, entre outras funções, auxilia no desenvolvimento neuropsicomotor, ou seja, é a partir daí que a criança tem noção de seu corpo no espaço, criação de estratégias para solucionar seus problemas, raciocínio abstrato e lógico. Brincar COM a criança e ensina-la as regras faz parte da função dos pais ou irmãos, mas FAZER por ela não!! É somente se movimentando ativamente que a criança aprende e se desenvolve.

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Paralisia Cerebral

Paralisia Cerebral é descrito como um grupo de “desordem” no desenvolvimento da postura e do movimento, que causam limitações de atividades. É atribuído a um distúrbio não-progressivo que ocorre no cérebro durante o desenvolvimento fetal ou do bebê. Os distúrbios motores da PC são geralmente acompanhados de distúrbio da cognição, sensação, comunicação, percepção, comportamento e epilepsia.

Os preditores mais fortes para a ocorrência da PC são a presença de anomalias congênitas, baixo peso ao nascimento, hipóxia ou isquemia, doença pulmonar crônica, baixo escore de Apgar, hemorragia intracraniana grave, leucomalácia periventricular, necessidade de ventilação mecânica e prematuridade. A época de aparecimento varia desde a pré e peri-natal como pós-natal, período em que o SNC ainda está imaturo (aproximadamente 36 meses quando a marcha está madura).

Segundo a literatura, o tempo sobre o qual o diagnóstico pode ser aplicado varia, tendo uma média de 3 a 5 anos. Período que se reconhece a plasticidade prematura do cérebro imaturo.

Apresenta 3 tipos de classificação, sendo relacionados ao tipo de tônus, a distribuição do acometimento e sua severidade. A categorização é baseada nas descrições de características observáveis, portanto, é uma descrição sintomática.

Tipo de Tônus:

  • Aumento anormal do tônus: espasticidade (aumento da resistência ao movimento dependente da velocidade); hipertonia anormal (resistência ao alongamento passivo, porém não é velocidade-dependente, ocorre com freqüência nos casos de traumatismo e afogamento).
  • Tônus flutuante: atetose (movimentos contorcidos lentos da face e das extremidades, afetando particularmente a musculatura distal) movimentos coreicos (movimentos abruptos, rápidos e irregulares vistos mais comumente na face e extremidades), distonia (distorções rítmicas e mudanças no tônus envolvendo principalmente o tronco e as extremidades proximais e causando movimentos lentos e não-controlados com a tendência a posturas fixas).
  • Diminuição anormal do tônus: ataxia (lesão cerebelar – perda da coordenação muscular coordenada, movimentos realizados com força, ritmo e acurácia anormais, distúrbio de equilíbrio).
  • Mista: quando há associação entre os tipos acima, por exemplo: atetose + espasticidade, coreatetose, etc.

 Distribuição do acometimento:

  • Quadriplegia – envolvimento igual de extremidades superiores e inferiores.
  • Diplegia – quadriplegia com envolvimento leve de extremidades superiores.
  • Hemiplegia – envolvimento das extremidades superior e inferior de um lado.
  • Monoplegia – envolvimento de uma extremidade.

Severidade:

Para avaliar a gravidade da seqüela motora pode ser usado o Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS)  segundo Palisano et. al. (1997):

  • Nível I –  anda sem restrições, limitações nas habilidades motoras grossas mais avançadas;
  • Nível II – anda sem equipamentos, limitações em andar em ambiente externo e na comunidade;
  • Nível III- anda com equipamentos para mobilidade, limitações para andar em ambiente externo e na comunidade;
  • Nível IV – automobilidade com limitações, crianças são transportadas ou usam mobilidade automática em ambiente externo e na comunidade;
  • Nível V – automobilidade é severamente limitada mesmo com o uso de tecnologia de suporte.

Os distúrbios do movimento e tipo motor se modificam com o tempo, a criança que foi classificada como hipotonia inicialmente freqüentemente desenvolve hipertonia num seguimento a longo prazo.

Intervenção

A equipe terapêutica deve consistir da criança, de sua família, médicos e profissionais da saúde, e conjuntamente decidirem a melhor conduta para a aprendizagem das habilidades e necessidades funcionais da criança no seu lar e na comunidade.  Os exercícios terapêuticos exercem um importante papel na habilitação/reabilitação da criança com PC.

O programa de exercícios deve ser desenvolvido em relação à avaliação, identificação das metas a longo e curto prazo e as habilidades funcionais da criança. Seguem os mesmos paramentos dos exercícios convencionais, em que a dificuldade é graduada de acordo com o progresso da criança para alcançar uma maior força, resistência e coordenação.

Dispositivos auxiliares são freqüentemente utilizados para promoverem alinhamento biomecânico adequado, proteção de partes moles, propriocepção, correção e prevenção de deformidades.  Esses dispositivos muitas vezes participam das terapias, permitindo criar estratégias mais direcionadas ao objetivo, como exemplo, podemos citar o treino de marcha em crianças com o uso de esteiras elétricas, proporcionando uma maior aprendizagem e coordenação dos movimentos.

São realizadas, a depender da avaliação do fisioterapeuta associada ao médico, correções cirúrgicas. Tais correções melhoram a qualidade de vida da criança, incluindo sua higiene pessoal. Pode-se citar como intervenção cirurgia a tenotomia, correções cirúrgicas de alterações posturais como escoliose e luxação de quadril, além da aplicação de toxina butolínica.

É importante observar o crescimento e desenvolvimento da criança não apenas nos aspectos motores, mas também de linguagem, motor fino, cognitivo e social, solicitando sempre que necessário a atuação de outros profissionais. A meta final é a de que a criança se torne um membro ativo da unidade familiar, assim como da comunidade, fazendo uso de todo o seu potencial. 

Nota

Fibrose Cística

É uma doença genética letal, mais comum na raça branca, e caracteriza-se por disfunção das glândulas exócrinas que provoca uma série de complicações e manifestações clínicas (respiratórias, digestivas e no aparelho reprodutor). Sua incidência varia de 1:2000 ou 1:5000 nascimentos em vários países, para população caucasiana.

Atualmente, o prognostico de sobrevida é de trinta anos para metade dos pacientes. Isso se deve ao diagnóstico precoce, manejo multiprofissional em centros especializados e facilidade de acesso à terapia adequada, incluindo a fisio respiratória, fundamental para a qualidade de vida dessas pessoas.

Geneticamente, é uma transmissão autossômica recessiva. Seu gene localiza-se no braço longo do cromossomo 7 e transcreve uma proteína transmembrana que regula o transporte iônico conhecida como CFTR.  Essa proteína atua como um canal de cloro, tem função de regulação do fluxo de Cl, Na e H2O através da membrana da célula. A presença de 2 alelos com mutação no gene da fibrose cística provoca ausência de atividade e funcionamento parcial da CFTR.

A FB provoca mudanças patológicas em órgãos onde a CFTR atua, incluindo células secretoras, glândulas sudoríparas, seios da face, pulmões, pâncreas, fígado e trato reprodutor. A mudança mais importante é visualizada nas vias aéreas, na qual o defeito genético causa infecção pulmonar crônica.  Sua fisiopatologia inclui a redução na excreção de Cl e aumento na eletronegatividade intracelular, o que resultará em maior fluxo de Na para o interior da célula, e, posteriormente, H2O por ação osmótica. Esse processo levará à desidratação das secreções mucosas e o aumento na viscosidade, favorecendo a obstrução dos ductos, acompanhada de reação inflamatória e posterior processo de fibrose.

A manifestação clinica do aparelho respiratório é caracterizado por períodos de regularização ou exacerbações de sinusites, bronquites e pneumonias. A sintomatologia é constituída de tosse persistente, excesso de produção de escarro mucoso, pode-se perceber sibilancia ou roncos. A maioria dos fibrocisticos morre por insuficiência respiratória, secundaria ao grave comprometimento pulmonar, fase em que costuma estar presente cor pulmonare.

O diagnostico ocorre por volta dos 2 -3 anos de vida, por meio de achados de duas mutações no gene de FC, por 2 testes de suor alterados e presença de pelo menos uma das seguintes manifestações clinicas: doença pulmonar obstrutiva, supurativa ou sinusal crônica, insuficiência pancreática exócrina crônica, histórico de infertilidade masculina e histórico familiar de FC.

Não existe tratamento definitivo, deve ser iniciado precocemente, evitando a progressão das lesões pulmonares e levando-se em consideração os órgãos acometidos. A fisio respiratória é universalmente recomendada, técnicas especificas para higiene e reexpansão pulmonar são aplicadas.

Artrogripose Múltipla Congênita

A artrogripose múltipla congênita, também chamada de contratura congênita múltipla, é uma doença não-progressiva caracterizada por múltiplas contraturas articulares e fraqueza ou desequilíbrio muscular.  Está relacionada a movimentos diminuídos no início do desenvolvimento fetal, levando a contraturas múltiplas ao nascimento.

Sua etiologia é desconhecida, mas provavelmente multifatorial. É associada com doenças neurogênicas ou miopáticas múltiplas, que exibem um defeito na unidade motora, incluindo as células do corno anterior da medula, as raízes, nervos periféricos, placas motoras ou músculos, resultando em fraqueza e diminuição dos movimentos fetais no início do desenvolvimento. A imobilidade resulta em múltiplas contraturas articulares, e em fibrose dos músculos e das estruturas periarticulares.

Sua característica clínica é variável, porém comumente encontra-se: extremidades descaracterizadas que frequentemente tem formato cilíndrico sem pregas cutâneas, articulações rígidas com contraturas significantes, deslocamento das articulações, especialmente quadril, atrofia e mesmo falta de grupos musculares e sensibilidade intacta, embora os reflexos profundos possam estar diminuídos.  Aparecem de forma simétrica e inclui rotação interna de ombros, flexão ou extensão de cotovelo, flexão de punho com desvio ulnar, flexão de quadril com rotação externa de ambas as pernas ou postura de sapo, flexão ou extensão de joelhos e deformidades em equinovaro dos pés.

O objetivo da intervenção é alcançar o máximo de função para a criança. As técnicas incluem alongamentos passivos por meio de posicionamento, gessos e uso de órteses, atividades de fortalecimento, treino de AVDs, procedimentos cirúrgicos e uso de equipamentos adaptados ou de reabilitação. A deambulação é possível para muitas das crianças e deve ser considerado um objetivo viável até que se prove o contrario. Desenvolver o máximo de independência na mobilidade e habilidades de auto-cuidado devem estar presente no foco de atendimento da fisioterapia para essas crianças.   

Jornada de Fisioterapia Neonatal

Jornada de Fisioterapia Neonatal

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DÚVIDAS???

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A divulgação da fisioterapia pediátrica é essencial para o bom tratamento do nossos pequenos pacientes.

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Pneumonia

Uma doença respiratória que muito atinge a população idosa e infantil. A pneumonia neonatal é um processo inflamatório dos pulmões, difuso ou localizado, que pode ocorrer no feto ou em RN resultante de infecção bacteriana, viral fungica ou de origem química. Constitui na maioria dos casos um dos primeiros sinais de infecção sistêmica, fazendo parte de quadros clínicos graves como sepse e meningite neonatal.

São classificadas de acordo com sua aquisição: as adquiridas antes do nascimento ( ainda em vida intra-uterina, por via transplacentária ou liquido amniótico infectado), adquirida durante o parto (por microorganismos que colonizam o canal de parto) e adquiridas após o nascimento (microorganismos do ambiente hospitalar ou de origem domiciliar, incluem contato com pessoas doentes, uso de equipamentos contaminados, água contaminada utilizada em nebulizações, etc).

A incidência da pneumonia é maior em período de inverno, e uma das causas mais comuns de admissões hospitalares.  Parece manter uma relação importante com as condições socioeconômicas, raça e idade, ou seja, aquele procedente de nível socioeconômico baixo, filhos de mães que não fizeram pré-natal, em más condições de higiene, mães promíscuas, portadoras de doenças sexualmente transmissíveis, e mais frequente em raça negra que branca.

As manifestações clinicas são variáveis e podem estar presentes logo após o nascimento nos casos de pneumonia intra-uterina ou congênita, podendo inclusive o RN ser natimorto ou falecer nas primeiras 24-48 horas de vida.  Os RNs que adquirem após o nascimento apresentam sinais de infecção sistêmica como gemência  letárgica, anorexia e febre. Sinais de insuficiência respiratória, como taquipnéia, dispneia, gemido, tosse seca, batimento de asa de nariz, respirações irregulares, cianose, retração costal e esternal, além de estertores crepitantes, subcrepitantes e MV diminuído são visualizados nessa patologia.

Vários fatores de risco pré-natais e  natais podem predispor a infecção sistêmica e pulmonar. Entre eles se destacam: a prematuridade, ruptura prematura de membranas, fisiometria, historia de febre materna, parto prolongado, associado à manipulação obstétrica excessiva.

Seu diagnóstico é favorecido pelo exame de radiografia e laboratoriais.  E, a terapêutica deve ser iniciada imediatamente após o diagnóstico, a escolha do agente antimicrobiano para o tratamento da pneumonia neonatal é baseada na idade, história materna e neonatal, achados físicos e radiológicos, e pela recuperação de um microorganismo do sangue ou espaço pleural.

A fisioterapia respiratória está cada vez mais sendo requisitada para auxiliar no tratamento desses RN e até mesmo bebês , crianças e idosos. Sua função é auxiliar na expectoração da secreção e reexpansão pulmonar, com isso agilizar a melhora do quadro clinico.

Autor: ROMANI, M.F.E.