Escalas de avaliação motora em neuropediatria.

Realizar uma boa avaliação é fundamental para o planejamento do tratamento. A observação clinica com aspectos qualitativos é a principal ferramente utilizada pelos fisioterapeutas, entretanto, a falta de dados quantitativos, muitas vezes, prejudica na avaliação da evolução do quadro.
A maioria dos testes/escalas utilizada na área de neuropediatria é internacional, o que torna a conclusão do caso duvidoso.
A tradução e a adaptação cultural de instrumentos devem seguir um procedimento padronizado. Baseada nos critérios definidos pelo Scientific Advisory Committee of the Medical Outcomes Trust, a adaptação intercultural de um instrumento envolve a avaliação das equivalências conceptuais e linguísticas e a avaliação das propriedades psicométricas (RIES, et. al, 2012). Foi publicado na Revista Brasileira de Fisioterapia, a versão brasileira da Escala de Equilibrio Pediatrica (EEP).
Segundo Ries e colaboradores (2012) os resultados mostraram confiabilidade adequada para a EEP para crianças com diagnóstico de PC classificadas nos níveis I e II do GMFCS. Dessa maneira, a tradução para o português da EEP, assim como a demonstração de sua confiabilidade intra-avaliador, quando diferentes avaliadores aplicam a escala ou observam o desempenho a partir de vídeos, deve contribuir como uma alternativa facilitadora da avaliação do equilíbrio da população pediátrica brasileira com diagnóstico de PC. No artigo encontra-se anexo a escala de avaliação…..vale a pena dar uma olha e colocar em prática!!

Anúncios

sempre bom compartilhar….

Prematuridade (Parte II)

O nascimento prematuro apresenta uma heterogênea etiologia, incluindo características maternas, como a baixa idade da mãe, gestação gemelar, baixo peso materno, obesidade, fumo durante a gravidez (GRAY; INDURKHYA & McCORMICK, 2004; HORTA; VICTORA; MENEZES; HALPERN & BARROS, 1997; PIEK, 1998); aspecto social, como a educação, condição sócio-econômica, dificuldades conjugais (LARGO, 1993; PIEK, 1998; REAGAN & SALSBERRY, 2005); etnia (REAGAN & SALSBERRY, 2005); história obstétrica, atentando-se a complicações durante a gravidez e pré-eclampsia (DIAS; PIOVESANA; MONTENEGRO & GUERREIRO, 2005; LARGO, 1993); além da idade paterna (ZHU; MADSEN; VESTERGAARD; BASSO & OLSEN, 2005).

Os lactentes prematuros são mais suscetíveis a sofrer intercorrências peri- e pós-natais que devem ser conhecidas e prevenidas dentro de uma unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) (DE GROOT, 2000; HEATHCOCK et. al., 2008; LEONE et. al., 1992; LARGO, 1993; PIEK, 1998). Problemas e/ou intercorrências pós-termo a médio e longo prazo também podem aparecer no desenvolvimento desses lactentes, principalmente nos lactentes PT extremos.
Comumente, os principais problemas detectados são: a paralisia cerebral (8 – 10% nos lactentes PT extremos), dificuldade na coordenação motora (clumsy), déficits cognitivos que assumem importância na idade escolar; distúrbios visuais, auditivos e comportamentais (e.g., dificuldade de atenção e hiperatividade). Estes problemas levam à alta incidência de atrasos e/ou dificuldades no desenvolvimento neuro-psico-motor (HEATHCOCK et. al. 2008; MARLOW, 2004; PIEK, 1998).
Nota-se, dessa forma, a necessidade e importância da intervenção fisioterapêutica feita precocemente, especificamente e corretamente para essa população.

Introdução/ Prematuridade

Hoje começaremos  a descrever sobre um tema, que particularmente, é o meu favorito: Prematuridade.
Muitos outros serão comentados…
Aguardem e acompanhem…..

Prematuridade (Parte I)

Nascer prematuro por si só é um fator de risco para o desenvolvimento e merece acompanhamento especial por parte de profissionais da saúde. Os lactentes prematuros (PT) são mais suscetíveis a sofrerem intercorrências peri- e pós-natais (DE GROOT, 2000; HEATHCOCK; BHAT; LOBO & GALLOWAY, 2008, LARGO, 1993; LEONE; RAMOS & VAZ, 1992; PIEK, 1998). As complicações e alterações em seu desenvolvimento estão diretamente relacionadas à idade gestacional (IG) e ao peso no nascimento (CROSSE, 1980; TECKLIN, 2002). Muitas vezes, alterações no desenvolvimento só são detectadas em idades escolares. Isto ocorre pela falta de conclusões sobre o progresso evolutivo global em estudos sobre essa população, além de descontinuidade dos acompanhamentos longitudinais (follow-up).

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (1961), é considerado prematuro ou pré-termo (PT) o lactente que nasce com menos de 37 semanas de gestação (CROSSE, 1980; LEONE, RAMOS & VAZ, 1992).
Dentro da definição de prematuridade pode-se, ainda, classificar o lactente de acordo com duas variáveis que constituem os principais fatores determinantes da incidência de complicações neonatais. São elas, 1) idade gestacional (IG), a qual é subdividida em: IG limítrofe (quando os lactentes nascem entre 35ª e 36ª semana de IG); moderada (os nascidos entre 31ª a 34ª semana de IG) e extrema (os nascidos antes da 30ª semana de IG) (LEONE, RAMOS & VAZ, 1992) e, 2) peso ao nascimento, sendo este fator considerado quando os lactentes têm baixo peso (peso inferior a 2.500g), de muito baixo peso (inferior a 1.500g) e de muitíssimo baixo peso (peso inferior a 1.000g) (PIEK, 1998; LEONE & TRONCHIN, 2001). Ambas podem predispor a ocorrência de deficiências na evolução pós-natal.

Fisioterapia Pediatrica Motora

Segundo Wikipédia é o ramo da Fisioterapia que utiliza uma abordagem com base em técnicas neurológicas e cardiorrespiratórias especializadas, buscando integrar os objetivos fisioterápicos com atividades lúdicas e sociais, levando a criança a uma maior integração com sua família e a sociedade.
Dentre suas especialidades está a fisioterapia motora que a partir de uma avaliação global e específica do lactente e/ou criança determina o diagnóstico funcional e busca o objetivo do tratamento que melhor satisfaça a família e a própria criança. A conduta terapêutica varia para cada caso, podendo ser desde acompanhamento mensal ou periódico, até intervenção sistemática. A intervenção terapêutica é baseada na estimulação do desenvolvimento neuropsicomotor, tais como coordenação olho-mão, atividades manuais, posturas prona, supina, sentada e em pé, coordenação global e equilíbrio, marcha e habilidades especificas da idade. As técnicas utilizadas são baseadas no conceito neuroevolutivo Bobath, Integração sensorial e aprendizagem motora.

Autor: ROMANI, M.F.E.